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Ecovilas – Construindo Utopias

Ecovilas

Em linhas gerais, uma ecovila é uma associação de pessoas que querem criar novos modelos de vida, mais harmonizados com as leis e forças da natureza.

Sair dos grandes centros urbanos, construir de forma alternativa, respeitar o meio ambiente, reciclar materiais, não poluir são algumas premissas.

Seus objetivos básicos são:

  • produção local e orgânica de alimentos;
  • utilização de sistemas de energia renováveis;
  • utilização de material de baixo impacto ambiental nas construções;
  • criação de esquemas de apoio social e familiar;
  • diversidade cultural e espiritual;
  • governança circular, incluindo experiência com novos processos de tomada de decisão e
    consenso;
  • economia solidária;
  • educação transdisciplinar;
  • saúde integral;
  • comunicação global.

Ninguém consegue definir com propriedade uma ecovila, cada uma é única.

Seus propósitos e objetivos dependem de cada um dos seus integrantes.

Milhares delas estão florescendo pelo mundo e nenhuma conseguiu, ainda, realizar plenamente seus propósitos e objetivos iniciais.

É difícil delinear tais dificuldades, mas algumas delas já podem ser observadas e estudadas.

Algumas ecovilas falham ao definir seus objetivos e os comunicarem claramente aos seus integrantes.

Outras, deixam de lado a construção de bases jurídicas sólidas e capazes de amparar suas ações.

Muitas delas falham por falta de planejamento financeiro em prol de uma visão romantizada da
realidade.

Tendem a endemoninhar o dinheiro, atitude que as impede de compreender o simples fato de que dinheiro é energia e sem energia, nada pode florescer.

Não querem o velho modelo econômico capitalista, mas não conseguem estabelecer novos modelos sustentáveis.

Muitas contam apenas com doações esquecendo por completo da auto-sustentabilidade, meta que só pode ser alcançada com o desenvolvimento de projetos economicamente saudáveis e, ambientalmente corretos.

Outro fator importante no processo, talvez o mais importante deles, é o alinhamento dos seus fundadores com os propósitos filosóficos e práticos aplicados ao cotidiano de uma ecovila.

Regras de convivência são necessárias ao bom funcionamento de qualquer sociedade.

Questionamos o velho modelo, mas somos incapazes de criar novos modelos positivos e realizá-los no cotidiano.

É preciso preparar as pessoas envolvidas visando à transição do antigo modelo para o novo.

Esta é a tarefa de maior desafio aos integrantes de uma ecovila.

O sucesso ou o fracasso na formação de uma ecovila dependerá diretamente do resultado positivo deste
processo de transição.

Nesse ponto é bom saber que existem modelos eficientes que podem ser aplicados para auxiliar nestes processos de transição.

Resta entender porque não procuramos ajuda quando sentimos tais dificuldades.

Esse artigo pretende refletir sobre esse aspecto, importante para o sucesso de uma ecovila.

Os problemas e desafios que enfrentamos na concretização do projeto da Viver Simples me servirão de exemplo e inspiração nesse assunto.

Os modelos de convivência coletiva dentro da sociedade atual, obedecem a estratégias criadas por pessoas inteligentes e poderosas que administram a vida de milhares de cidadãos, de cima para baixo.

Acredita-se, dentro do modelo democrático, que os criadores dessas leis foram escolhidos através de votos para defender os interesses e necessidades de seus eleitores.

Credenciam-se essas pessoas em eleições que acontecem em tempos determinados dentro das estruturas sócio-políticas democráticas.

Mas, normalmente, são os interesses financeiros e políticos que acabam determinando o rumo dessas leis e decisões, e, quase nunca, as necessidades reais da sociedade.

Temos observado na Ecovila Viver Simples que o modelo em rede, presente em todo o processo natural, acontece de forma diferente atuando simultaneamente em todas as direções: vindo de baixo, da terra (nossa mãe) e dos seus processos de mudança afetam a vida no planeta; vindo de cima, dos eventos cósmicos, interferem na vida humana, animal, vegetal e mineral e na própria terra; vindo das outras 4 direções, do homem, sua cultura e meio ambiente, afetam o planeta e a sua harmonia.

Tudo está interligado nesse sistema.

O conhecimento dos sistemas em rede são imprescindíveis ao processo de transição entre o modelo velho e o natural que deve guiar uma ecovila, se ela quer realmente ser sustentável e viver em harmonia com o universo a sua volta.

O conhecimento desse sistema poderá ser a medida exata que determina a direção para onde essa transição nos levará.

Ely Britto
Idealizadora da Ecovila Viver Simples
Instrutora Sênior de Alquimia Interna Taoista
Pesquisadora do I Ching

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