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Bigu – Viver de Luz – Jejum Taoista

Bigu – Viver de Luz – O caminho Kunlun de Imortalidade Corpórea e dissolução no Vazio Original – Jejum Taoista

Somos ilimitados em nossas possibilidades divinas, no entanto as nossas crenças e distanciamentos do nosso estado original confundem a experiência humana com o que realmente somos.

Se algo é verdadeiro, este algo não pode deixar de ser verdadeiro com o tempo, esta é a diferença entre ser e estar, e assim é o nosso corpo, nossas ideias, nossos desejos.

A impermanência nos ensina que aquilo que somos pode assumir imensuráveis formas, e também se liberar de qualquer forma quando nos permitirmos ao reconhecimento com o infinito.

Para que a geometria da existência possa assumir a “não-forma” alguns métodos podem ser úteis no processo de vencermos os boicotes e termos experiências profundamente íntimas ao reassumir o que somos.

Aqui está uma possibilidade desta liberação: Bìgǔ, um dos caminhos que torna a Tradição Jiulong Kunlun como fundamentalmente asceta.

Bìgǔ

O termo Bìgǔ 辟穀 – significa “deixar de comer grãos”, e refere-se à jejuar deixando de se nutrir das sementes e coisas nascidas, e é utilizado para descrever qualquer tipo de jejum.

A prática tradicional Kunlun pede o Bìgǔ para Retiros – ficar sem sexo e masturbação, sem carne, sem álcool, sem drogas alucinógenas, e desta forma armazenar energia para as iniciações; há também o Bìgǔ que possui vários níveis e camadas de prática e ensinamentos.

  • Primeiramente.

.: em Kunlun é necessário ser iniciado na Tradição – ter chegado até as iniciações de Fusão 3 e ser iniciado em Kan e Li, recebendo um nome e aprendendo as práticas para ajudar os espíritos perdidos no retorno para a luz (clique aqui para ler sobre o Banimento dos Espíritos – A Origem Mitológica dos Fang Shi).

.: receber as iniciações de Kan e Li 2 – Alquimia do Sol e da Lua.

.:Após este trabalho corporal e com a energia, e uma boa acumulação de Qi (energia vital), o corpo está pronto para realizar a prática completa de Bìgǔ sem fome e sem sofrimento.

.:A primeira prática total de Bìgǔ acontece no retiro de Kan e Li 2, onde aprendemos sobre a geometria do Sol e da Lua, das quatro estações na sustentação da vida e dura 3 dias. Olhamos de olhos abertos para o Sol e para a Lua, e aprendemos a absorver a luminosidade natural do mundo material e que vai ser a ponte para o imaterial.

.:O Sol, a Lua e as estrelas são os pais do nosso corpo, e por isso o processo se inicia com a força dessas luminosidades.

A segunda prática chamada de “Purificação dos venenos físicos” dura 21 dias, e é feita inicialmente com jejum utilizando-se pouca água e nenhum alimento físico, olhando para o Sol e absorvendo energia da Lua, além de fazer alguns exercícios de purificação.

Esta prática limpa profundamente o muco do corpo, desintoxica os órgãos e melhora o seu funcionamento, cura muitas doenças, também é necessário sair corretamente da prática para permitir que o corpo elimine o muco acumulado no intestino e aprenda a capacidade de se nutrir diretamente da luz original.

-Após este estágio recebemos os “Sete textos de Bìgǔ”.

.:A partir deste momento, começamos a prática chamada de “Caminho do Espírito Primordial” 元神

.:No início precisamos da luz do Sol, da Lua e das Estrelas, depois podemos reconhecer a luz além dos veículos materiais, e começarmos a praticar o “engolir o ar e o orvalho”, que é uma prática de engolir o ar e prender a respiração, assim geramos um tipo de saliva especial que supre a necessidade de água e de comida.

.:Pode-se praticar os 21 dias sempre que se quiser para limpar o corpo e resolver problemas de limitações da nossa percepção, em jejum nos tornamos uma esponja de luz e isso também ajuda a limpar as nossas limitações através de sonhos e de visões, e a capacidade de trazer o poder divino quando necessário.

.:A necessidade de alimentação após o primeiro período de 21 dias desaparece desde que se esteja em estado de Bìgǔ se permitindo ser nutrido pela luz.

Mas, mesmo assim pode-se escolher quando praticar e se sugere a prática ao menos uma vez por ano para ir sutilizando-se até nos desapegarmos da necessidade psicológica de alimento físico incrustrada na nossa ancestralidade.

Após permanecer 3 anos sem alimentação física “engolindo ar e orvalho” se começa a prática da “Transferência do Corpo Físico para o estado de Pura Luz” 元神 onde se aumenta o tempo entre as respirações até todo o nosso ser se identificar com o estado de Luz que pulsa na imensidão do Vazio.

Para essa prática ser segura é necessário antes se ter consolidado o “Corpo de Diamante” ou “Corpo de Pura Luz”, “Dragão Dourado” que é feito em uma meditação muito especial chamada de Nei Dan 內丹术, ensinada em regime monástico com votos de monge.

Visto que Nei Dan exige alimentação específica, restrição sexual durante o período de prática, e é extremamente perigoso ser feito sem supervisão.

A prática de meditação em Cavernas é em estado de Bìgǔ ou seja, em jejum total.

Ela é fundamental para a consolidação desse corpo luminoso, ou seja, essas duas práticas são dependentes no nossos sistema.

Os imortais que possuem realização em Bìgǔ podem mudar a forma do seu corpo, além de poderem permanecer na Terra, em outros planetas ou onde quiserem e por quanto tempo quiserem, no entanto, esse não é o fim do trabalho de alquimia, há ainda muito o que fazer depois de atingir este estado e muitos caminhos a traçar.

Na antiguidade, só eram considerados imortais os praticantes que atingissem este nível de prática e dissolvessem o corpo físico, já nos dias de hoje, podemos considerar imortais todos aqueles que despertaram o corpo de pura luz, ou seja, aqueles que conseguem se identificar com o nosso estado ilimitado que se dissolve no vazio, e há muitos métodos para isto, sendo meditação o principal, independente da linhagem.

ps: Algumas pessoas perguntam o motivo de não ensinarmos Bìgǔ na África ou em muitos países onde as pessoas passam fome. Ora pois, nestes locais a fome e a miséria possuem interesses políticos e econômicos, a maioria dos países miseráveis da África produzem muitas toneladas de algodão, e há alquimistas africanos que possuem estes níveis altos de realização e que ensinam lá, mas não há interesse do governo e não há como ensinar em massa sem essa ajuda ou contra ela.

Acreditamos que no futuro assim como no passado, cada vez mais pessoas irão despertar para sua verdadeira identidade divina e começarem a se nutrir da luz original, eliminando assim a fome e o sofrimento, e é para isso que trabalhamos .

Esses ensinos são secretos dentro de Kunlun e ensinados apenas aos iniciados, pois se tratam de processos perigosos e podem lesionar o corpo e a mente caso não se esteja pronto para eles.

Dentro da tradição essas práticas são transmitidas de forma segura e são resultado de um processo gradual e longo de cultivo interno que tendem a surgir de forma espontânea com a prática de outros caminhos dentro da tradição.

Muitas bênçãos e reconhecimento da luz a todos.

Monte Tai Yin Yi – Tradição Jiulong Kunlun

Fonte: Taoismo Brasil

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