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O Tríplice Caminho – Condução à Paz Interior

Recentemente, o jornal local noticiou um grande aumento nos números de casos de violência na cidade de Belo Horizonte.

Isso, porém, não nos surpreende visto que no país inteiro ou até mesmo no planeta, notamos o crescimento da violência e do negativismo.

Essa realidade acarreta consequências diretas como o medo e o temor pelo pior em nossas vidas.

Um repetido receio de sermos assaltados, sequestrados, roubados, agredidos ou mortos.

Não bastassem os temores já citados, constantemente somos visitados por outros medos, os de ordem moral, emocional e até espiritual.

Os terreiros estão repletos de pessoas receosas de serem atacadas por essas situações.

Elas também temem pelos integrantes da família e pela fragilidade do estado de pensamento, pois, vez ou outra esses indivíduos se sentem culpados pelos atos praticados durante o dia e que lhes pesam na consciência.

Na verdade, essa culpa acaba por induzir e conduzir inconscientemente, essas pessoas a fugirem da realidade existencial.

A “Doutrina do Tríplice Caminho”[1] instrui e direciona o indivíduo para o combate à ignorância, ao ódio e aos apegos.

Vejamos como isso pode, de forma prática, servir para a convivência cotidiana.

Vivemos em um mundo basicamente consumista e mesquinho no qual diariamente somos bombardeados com campanhas de incentivo ao consumo e à ostentação.

Como um vício que não tem limite, sem perceber, o ser humano passa a adquirir mais do que se precisa e a matéria ganha mais valor que o espírito.

Cresce então o apego ao material e ao status quo do indivíduo, ou seja, a sua posição social.

Prova disso, são os muitos espíritos necessitados que após o desencarne se manifestam, registram suas insatisfações quanto à nova realidade no mundo espiritual onde não possuem mais seus bens materiais conquistados na terra.

Outra forma de apego que fragiliza o espírito humano são as tristezas e amarguras que vivenciamos em nossos dias, pois acabam por criar raízes profundas nas almas de muitos.

Achamos ainda aqueles que dizem que “pau que nasce torto, nunca se endireita”, abrem mão da mudança positiva tão necessária ao soerguimento espiritual.

Acredito que não seja segredo para os adeptos de terreiro que, na Umbanda, aprendemos com os caboclos a virtude da AÇÃO como mudança de postura, como coragem de tentar novamente, agora com mais experiência.

Como dádiva divina que conserva em nós a vitalidade da juventude.

E não precisa ter pouca idade física para ter ação.

É preciso ter atitude.

No contexto atual, habitamos numa sociedade com os “nervos à flor da pele”.

Toda irritação, ato violento e rancor tendem a ser maiores do que deveriam.

E aí surge novamente a Umbanda e a Doutrina do Tríplice Caminho, agora representadas pelas “crianças ou ibejis”[2], a nos ensinar coisas do amor.

AMOR que acalma nossos sentidos, que acalenta nossos corações.

Sublime sentimento que nos oferece nova chance, a fim de nos tornarmos melhores e, portanto, mais próximos da nossa essência espiritual.

Dando sequência as nossas observações, notamos que muitas pessoas adoecem vítimas de males físicos, morais e mentais.

Multiplicam-se as manifestações das dores de consciência de forma mais acelerada que as dores físicas.

E, carinhosamente, mais uma vez se manifesta a Umbanda através dos “Pais e Mães Velhos”[3], que com candura e o jeito simples e, representando a Sabedoria e a Humildade, mostra-nos de que devemos ser portadores.

SABEDORIA que alivia as tensões da ausência de conhecimento, que nos permite refletir de maneira clara e divina, que nos faz lembrar a interdependência entre todos, fortalecendo em nós o respeito e a fraternidade.

É assim, então, que a Umbanda desdobra-se na tri-unidade da própria essência e cria, no movimento de sua magia, os seus caminhos de condução ao PAI.

Com as poderosas armas da Sabedoria, do Amor e da Ação efetiva, somos libertos das amarras dos medos e receios nascidos da ignorância, dos ódios e dos apegos.

Dessa forma, na medida em que nos conscientizamos do quanto somos ilimitados em nossas possibilidades de crescimento espiritual, podemos partir confiantes rumo ao nosso aprimoramento, certos do amparo divino dos Mentores da Umbanda, seja neste tempo de hoje ou sempre.

Encerro este texto com o trecho do livro de nosso avô de santé, W.W. da Matta e Silva[4], que desvela ainda mais sobre a Senhora da Luz, a Umbanda de todos nós.

Saravá Umbanda!
Tashirodhan
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[1] Doutrina do Tríplice Caminho – Doutrina de Umbanda que nos ensina a pensar, sentir e agir de maneira alinhada e positiva, a fim de combater a ignorância, o ódio e os apegos.
[2] Crianças ou Ibejis – Entidades espirituais que se manifestam com a roupagem de criança, apesar de serem espíritos de alto conhecimento e luz. Fazem parte da falange de Yori.
[3] Pai e Mãe Velhos – Também conhecidos como Pretos Velhos. Espíritos que se manifestam com a roupagem de antigos escravos na fase da velhice. Entidades dotadas de enorme conhecimento da psique humana e trabalham para alavancar as mudanças positivas no âmbito mental do ser humano.
[4] Woodrow Wilson da Matta e Silva – grande médium da umbanda, também chamado de Mestre Yapacani (nome iniciático), que através de sua mediunidade revelou grandes conhecimentos sobre a umbanda orientado pelo seu mentor Pai Guiné e toda sua falange.
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Fonte: A.U.E.A. – AGRUPAMENTO DE UMBANDA DA ESTRELA AZUL – TEMPLO DO SR. CABOCLO COBRA CORAL CONFRARIA DA ESTRELA AZUL

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