Convivendo comigo

Jacqueline Berg descreve como podemos nos libertar das prisões autoimpostas a que nos submetemos.

Recentemente, li um anúncio que dizia, “Seja diferente. Seja você mesmo. ”

Isso me lembrou de uma história que ouvi certa vez sobre um leão que foi separado de seus pais no nascimento.

Ele cresceu num rebanho de ovelhas.

Pelo fato de o filhote acreditar mesmo ser uma ovelha, comportava-se como uma.

Ele era um leão em transe de ovelha.

A história do leão é um pouco parecida com muitas de nossas próprias histórias.

Nós também estamos num transe.

Também parecemos esquecer quem realmente somos.

E, por causa desse engano, temos nos identificado com diferentes imagens e ideias.

Colocamos máscaras e realmente começamos a acreditar que somos essas máscaras.

É claro que é impossível ser feliz se você é um leão e vive como uma ovelha.

O segredo de conhecer-se é que existe algo dentro de você totalmente diferente daquilo que você finge ser.

O Eu verdadeiro

A única maneira de conhecer esse “eu” verdadeiro é através de uma pesquisa consciente.

A maioria das pessoas não tem tempo para isso.

Ou eu deveria dizer que elas não criam tempo para isso?

Essa é a beleza do tempo: você pode criá-lo.

Durante minha pesquisa, descobri quatro coisas que são de importância vital.

A primeira é o silêncio. A segunda é o relacionamento comigo mesma. A terceira é o relacionamento com o Supremo e finalmente vem meu relacionamento com aqueles que estão à minha volta.

É realmente importante pensar nelas nessa ordem. Nós normalmente as abordamos numa ordem diferente.

Estamos muito conscientes sobre os relacionamentos que temos com os outros, alguns de nós pensam sobre Deus, poucos pensam no seu eu interior e dificilmente alguém tem um relacionamento com o silêncio.

Antes de começar a meditar – há uns 25 anos – eu não considerava muito o silêncio em minha lista de prioridades.

Não tinha uma ideia clara do que ele realmente era.

Eu era viciada em trabalho, e pessoas assim não desperdiçam tempo em hobbies fúteis como o silêncio.

Minha vida era ativa, dinâmica.

E era assim na família também.

Depois de divorciar-se, minha mãe contou-me, porque ela sempre esteve tão incrivelmente ocupada.

Ela literalmente esteve fugindo da dor que sentia por causa do seu casamento não preenchedor.

Isso me despertou para o fato de que o trabalho pode ser apenas outro vício, um modo de encobrir a dor, um modo de evitar as coisas com as quais não sabemos lidar.

Então, essa é a maneira como fui criada: nunca parando, nunca sendo, sempre fazendo.

Minha jornada interior começou com o desejo de quebrar esse ciclo vicioso de ficar dando voltas; tentando “simplesmente ser” para mudar um pouco.

Os primeiros anos na meditação não foram fáceis.

Achei difícil relaxar e não conseguia sentar-me em silêncio.

Minha mente criativa continuava correndo.

Foi realmente meu corpo que veio para me salvar e forçou-me a sentar – ou em outras palavras – silenciar-me.

Lentamente, mas definitivamente, minha mente aceitou-se derrotada e enquanto a bandeira branca estava sendo hasteada, o silêncio entrou.

Leva tempo acostumar-se a estar em silêncio e não fazer “nada”.

O Crítico Interior

Lembro-me de uma manhã quando estava sentada no sofá – meditando – quando um dos vizinhos passou pela janela.

Antes disso, havia pegado uma revista e fingia lê-la.

Por tanto tempo vivi com a ideia, “Eu faço, portanto eu sou.”

Tinha receio de que os vizinhos pensassem que eu não estava fazendo nada.

Mas estava mais receosa ainda daquela voz interior, o Crítico Interior, que me puxou para além dos meus limites durante muitos anos.

Agora que minha mente estava se tornando mais silenciosa, tornei-me mais consciente dessa voz interna.

Custou-me certo tempo para entender o que esse criticismo interno faz, o quão destrutivo ele é.

Muitas pessoas confundem criticismo com intelectualismo; eles pensam que é bom ter opinião sobre tudo e julgar os outros.

Mas descobri que ele realmente é um hábito muito negativo.

Machuca os outros, e, acima de tudo, você se machuca com esse tipo de julgamento negativo.

Acho que ele deriva da noção errada de perfeccionismo.

Perfeccionismo não é o mesmo que perfeição no sentido de inteireza.

“Ser completo” significa ser completo com todos os poderes e virtudes dentro do eu.

Perfeccionismo é algo diferente.

Perfeccionistas tentam controlar pessoas e situações de modo que nada dê errado.

Eles querem que tudo aconteça tranquilamente e não conseguem lidar com imprevistos.

Ao invés de focarem-se na beleza da vida, são obcecados pelos defeitos e imperfeições deles próprios e dos outros.

Corrigem a eles mesmos e aos outros continuamente – às vezes em palavras, sempre em pensamentos.

Não estou dizendo que não devemos tentar tornar as coisas melhores e nos esforçarmos para a perfeição.

Afinal de contas, todos viemos de um estado de harmonia interna e completude.

Então, é muito natural que queiramos retornar àquele estado uma vez mais.

Mas a raiva projetada por ter perdido sua própria perfeição não vai trazer a completude de volta.

De fato, isso cria muitos problemas nos relacionamentos.

Não é fácil enfrentar, ou mesmo ver, os seus próprios defeitos.

É mais fácil ver isso nos outros, e então, o Crítico Interno os ataca.

E sempre há alguma coisa: a maneira como alguém se veste, fala, comporta-se… não há fim para isso.

Mas o que estamos realmente fazendo é criticar nosso próprio comportamento.

A maneira de conhecer o Crítico Interno é prestar atenção aos seus sentimentos: como eu me sinto sobre mim?

Como me sinto sobre as outras pessoas?

Sentimentos são apenas sentimentos

Recentemente, meu dentista disse-me que se ele tirasse minhas obturações de mercúrio, meus sentimentos por mim mudariam.

Não é surpreendente que algo assim pode realmente mudar o modo como nos sentimos sobre nós mesmos?

Os sentimentos podem mudar tão rapidamente e existe muita influência, assim, a melhor maneira de ver os sentimentos é: Eles são apenas sentimentos.

E um sentimento leva a outro.

Quando você olha por trás desses sentimentos e emoções, ainda há você.

É o que acontece em relação à raiva: você pode sentir raiva, mas isso não faz de você uma pessoa raivosa.

É bom separar seus sentimentos de você mesmo.

Veja o medo, por exemplo.

Há alguns anos viajei para a Austrália.

Eu estava num voo doméstico que levaria apenas 45 minutos.

Mas, no caminho, pegamos uma tempestade tropical com muita chuva.

Tentamos aterrissar, decolar novamente, e aterrissar mais uma vez.

Isso aconteceu sete vezes.

A experiência foi terrível, as pessoas gritavam sem parar.

De qualquer forma, o fato é que eu tenho medo de voar, então, você pode imaginar como me senti.

Meu medo cresceu e cresceu até que cheguei aos limites do medo.

Eu não poderia estar mais amedrontada.

Então, de repente, ele desapareceu.

Foi embora.

Comecei a sorrir.

Vi quão engraçada era a situação e consegui acalmar os outros à minha volta.

Quando chegamos ao nosso destino, 11 horas depois, percebi profundamente: um sentimento é somente um sentimento.

Ele pode incomodá-lo durante anos e de repente, ir embora.

Sentimentos mudam, nós não!

Quando permito que o silêncio entre em minha mente, descubro quem sou lá no fundo.

Começo a entender minhas motivações.

Posso ser honesto comigo.

Não preciso enganar-me.

Quando começo a me ouvir, é possível descobrir coisas diferentes daquilo que eu esperava encontrar.

Talvez eu seja uma pessoa muito diferente de quem pensava ser.

Talvez eu seja um leão vivendo num transe de ovelha.

Se sou, então o processo de reconhecimento e mudança começa.

Pode ser um pouco dolorido destruir as imagens criadas de nós mesmos, mas acima de tudo, é uma liberação.

É claro que as pessoas à nossa volta dirão, “Espere aí, esse não é você, isso não é como eu conheço você.” Eles tentarão puxá-lo de volta.

É necessária coragem para mudar.

Pode ser doloroso descobrir quão pouco seus amigos e família o conhecem de verdade.

Mas você não pode culpá-los.

Afinal de contas, foi você quem induziu-os ao erro ao não lhes mostrar o seu verdadeiro eu.

Você mostrou-lhes somente a máscara.

Meditação e liberdade

Temos nos identificado com muitas coisas externas.

As pessoas têm muitas faces.

Nossa identidade está nas roupas que usamos, nos empregos que temos, onde vivemos e assim por diante.

Algumas pessoas são completamente diferentes no trabalho do que são em casa.

Eles mostram somente uma parte deles no trabalho. Num certo sentido, enganam seus colegas.

Na Prisão Estatal Holandesa, ensinei meditação para homens jovens, os quais estavam lá por causa de crimes relacionados com drogas.

Então, além de suas penas, eles eram viciados. Não era um grupo fácil!

Foram-lhes oferecidas sessões de psicoterapia para torná-los conscientes da dor de seu passado.

Isso é importante, pois tinham tentado fugir do passado por meio das drogas.

Depois que eles ficaram sóbrios, tive a oportunidade de fazer sessões de meditação e pensamento positivo com eles.

Esses garotos ensinaram-me muito sobre mim.

Eles não deixaram nada a que se agarrar, nada com o que se identificar.

Seus amigos e namoradas não queriam mais vê-los; muitos deles haviam perdido seus dentes e cabelos.

Falei com eles sobre prisão em liberdade.

Eles sempre falavam para mim: “O que você sabe sobre prisão? Quando você sair desse lugar, estará livre.”

Mas o que é liberdade?

Talvez eu esteja viciada no meu trabalho, no meu relacionamento ou em negatividade.

Essas jaulas da alma também são prisões.

Alguns de nós estamos presos de forma tão firme, que é como se tivéssemos dado a nós mesmos uma sentença para a vida toda.

Eu digo aos reclusos que honestamente não sei quem está mais livre, eles ou nós do lado de fora.

Afinal de contas, eles têm todo o tempo do mundo para repensar suas vidas.

Longe da luta da vida diária, é muito mais fácil mudar padrões.

Algumas pessoas gastam muito dinheiro para passar o tempo num retiro ou numa ilha privada apenas para afastar-se de tudo a fim de colocar as coisas em ordem.

Quando digo àqueles jovens na prisão que algumas pessoas podem até ter um pouco de inveja deles, eles riem, mas entendem.

Eles também estão abertos à meditação. E amam isso.

Deitam-se no chão, acomodam-se em suas cadeiras, às vezes choram.

Por alguns minutos experimentam-se como realmente são.

Sentar-se junto em meditação faz você esquecer que está na mesma sala com assassinos e assaltantes. Eles também se esquecem dessas coisas.

Nós simplesmente sentamos juntos e esquecemos as máscaras.

Encontramo-nos como almas.

Em terapia, as pessoas frequentemente focam somente naquilo que deu errado.

Quando encontro esses garotos, eu lhes digo, “Esqueçam-se um pouco de seu passado. Vejamos quais qualidades e especialidades vocês ainda deixaram”.

Quando eles expressam algumas dessas qualidades, eu os relembro disso. Não me lembro de seus nomes, mas me lembro de suas qualidades.

O perdão é muito importante para eles.

Somente quando aprenderem a perdoar-se é que podem abandonar suas identidades falsas.

Eles precisam entender por que estavam fazendo aquelas coisas: não é porque são pessoas más, mas por causa da falta de entendimento.

Somente assim eles podem perdoar e reconquistar sua autoestima novamente.

Perdoe a si mesmo

Perdoar-se significa curar seu coração.

Se você continuar se punindo, ainda estará atrás das grades.

Ainda estará na prisão.

E por estar na prisão, você aprisiona os outros também.

Ninguém quer estar preso sozinho. Nós queremos companhia.

Se sua identidade é baseada em vergonha, você vai procurar por outros que tenham o mesmo problema.

E sempre irão machucar-se uns aos outros.

Pessoas machucadas machucam pessoas.

Essas projeções uns nos outros irão continuar até que você se cure.

E só quando você se curar é que será capaz de curar os outros.

Devemos entender que somos livres. As almas são livres.

Ninguém pode nos aprisionar; nós é que escolhemos nos aprisionar. Transformando-nos em vítimas.

E se gostamos de desempenhar o papel de vítimas, sempre há alguém querendo desempenhar o papel de vitimador – o pássaro e a gaiola.

Se queremos ser livres, meu conselho é: Não fuja de sua “gaiola”; não fuja de seus relacionamentos.

Ao invés disso, entenda o que está acontecendo e mude.

Isso é honestidade.

Esse é o único modo de libertar-se.

Não gaste toda a sua energia tentando mudar os outros. É inútil.

Toda a sua energia será usada em discussões, lutas e nas mesmas brigas repetidas vezes.

Os outros só vão mudar quando eles quiserem, quando eles entenderem que têm de mudar.

A mudança vem de uma motivação interna.

Mas se usamos nossa preciosa energia para mudar a nós mesmos, as chances são de que o outro também mude.

É hora de regenerar a sua alma.

Relacionamentos verdadeiros começam com silêncio.

Portanto, você pode começar a criar um relacionamento melhor consigo, então com o Supremo e então com os outros.

A razão pela qual os relacionamentos com os outros vêm por último é porque os outros nunca veem em nós o que Deus vê.

Frequentemente nos vemos através dos olhos dos outros.

Então, se alguém vê somente 20% do que somos, também só vemos esse tanto.

Deus nos vê como somos.

Ele vê nosso potencial completo.

Se você aprender a olhar-se da forma como Deus o vê, você começará a ver seu eu verdadeiro.

Se aprender a conectar-se ao Ser Supremo, seus sentimentos puros serão estimulados e reforçados.

É maravilhoso estar em contato com um ser que é tão próximo à sua natureza original.

Você se sente muito confortável na presença de alguém que é consciente da alma.

Você começa a relaxar, pois está sendo reconhecido.

Não precisa provar mais nada a si mesmo.

Eu acredito que atualmente vivemos num período no qual as pessoas estão começando a entender essas coisas.

Mas temos que parar de desperdiçar energia e concentrarmo-nos naquilo que realmente é necessário.

A prática de meditação é sobre aprender a não ser influenciado, ser você salvo e protegido naquela energia pura.

Meditação é sobre sentir sua própria energia da alma.

Realmente sentir: isso sou eu; aquele sentimento de que sou único, sou especial.

Então, o processo completo é expressar aquela energia na sua vida diária, em seus relacionamentos.

Mas, em primeiro lugar, você tem que praticar para senti-la até que se torne estável na sua identidade verdadeira.

Quando você começa a sentir quem realmente é, não há necessidade de lutar contra vícios ou pessoas à sua volta.

De fato, não há necessidade sequer de lutar.

É um processo muito natural. Quando mudarmos nossas atitudes, seremos capazes de mudar o mundo.

Como vocês veem, Deus precisa de ajuda. Ele precisa de mentes livres.

Jacqueline Berg, escritora e autora, é diretora da Brahma Kumaris na Holanda.

Fonte: Brahma Kumaris – www.brahmakumaris.org.br

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Alma e Matéria

por Ken O’Donnell - Redescubra a base para a transformação: a diferença essencial entre o corpo físico e o espírito não físico.

Entrar na dimensão do espírito é um processo muito sutil, principalmente quando a mente está trancada numa visão da realidade que exclui a eternidade.

A matéria, os sentidos e as coisas de interesse imediato têm tal domínio sobre os pensamentos que a própria natureza da existência torna-se distorcida.

Vejo o mundo não como ele é, mas como eu sou.

Minha vida gira dentro de limites, distinções e desejos estreitos à medida que faço o jogo de rotular-me e rotular os outros com base nas características puramente físicas.

Classifico o mundo de acordo com sexo, raça, credo, nação, idade e posição social, e coloco todos dentro de sua pasta no meu arquivo interno.

Devido a tais classificações, surge conflito dentro de mim e a minha volta à medida que busco defender o território assim estabelecido — seja ele um papel, um trabalho, uma posição na sociedade, o nome da família ou uma nação.

“Que ninguém transpasse meu território” é uma placa não verbalizada plantada em meu coração.

Retirar os óculos do que pode ser chamado de consciência do corpo, por intermédio da qual vejo e julgo o mundo ao meu redor, requer algum esforço.

Experimentar o eu em sua luz verdadeira requer um entendimento detalhado dos termos e processos usados.

Mas o próprio ato de dar tal passo abre uma perspectiva totalmente nova de ver e reagir ao mundo a minha volta.

Com insight sobre a natureza verdadeira das coisas, a mesma vida que estou levando em termos de trabalho, família e lazer torna-se o trampolim de minha transformação.

Abandonar a consciência dos limites deste corpo físico e experimentar o eu interior ou a alma é a essência da Raja Yoga.

Distúrbio e tensão individuais, e consequentemente sociais, são o resultado da ignorância dos processos do eu e do mundo em volta.

A mente fica sem descanso, agitando-se e pensando sem meta, açoitada por ondas de sentimentos e emoções.

Como uma aranha presa em sua própria teia, fico emaranhado nas teias que são a consequência de minha própria ignorância dos fundamentos da vida.

Energia Consciente

Na vida, muitos acontecimentos não podem ser explicados apenas em termos materiais.

Em certos momentos de crise ou inspiração, existem experiências emocionais e espirituais profundas que me separam do mundo ao redor.

Nessas ocasiões, refugio-me dentro de mim e leio livros religiosos ou filosóficos sobre rituais ou símbolos a fim de entender tais experiências.

Além disso, sujeito-me a uma constante crítica da vida ao meu redor a partir de meus próprios pensamentos, sentimentos e deduções.

Essas faculdades de pensar e formar ideias, de desejos e de decisão (e todos os aspectos diferentes que constituem minha personalidade) não são físicas e, ainda assim, são reais.

De fato, qualquer coisa que eu possa perceber vem de duas fontes: o que é detectado pelos sentidos físicos e o que surge de impressões gravadas nessas faculdades sutis.

As coisas que consigo ver, degustar, ouvir, cheirar, bem como meu próprio corpo, são formadas de matéria.

Mas as faculdades sutis da mente, do intelecto e da personalidade são manifestações do que é chamado de energia da consciência.

Essa energia consciente é também chamada de alma ou espírito.

A alma é a entidade sutil que não pode ser medida por nenhum processo nem instrumento físico.

A parte não material de cada um de nós existe e, na realidade, ela é o ser verdadeiro ou o que simplesmente chamamos de “eu”. Esse eu ou alma só é perceptível no nível da mente e do intelecto.

Átomo e Atma

Ao longo da História, os cientistas edificaram muito do conhecimento das leis do Universo físico sobre as bases da teoria atômica.

O átomo é tido como o ponto-fonte de energia.

Níveis diferentes de energia e vibrações entre os átomos vizinhos dão a aparência de forma, cor e calor.

A teoria atômica apareceu originalmente na Grécia e na Índia.

A palavra em português “átomo” veio do grego atomos, que significa piscar de olho, e do latim atomus, que significa indivisível.

A palavra grega provavelmente é derivada da palavra hindi atma, que significa “eu” ou “alma” e refere-se à energia consciente do ser humano como um ponto indivisível e indestrutível de luz não física.

Ficou estabelecido que o mundo material inteiro, que vejo a minha volta como uma variedade de formas e cores, luz e calor, é formado por esses pontos-fonte de energia física.

A mais bonita cena da natureza é apenas um arranjo de ondas de energia e de vibrações.

Os órgãos dos sentidos selecionam essas vibrações e transmitem uma mensagem para a mente, onde todas as imagens são formadas.

Os olhos veem alguns desses arranjos como formas de luz e cores, o nariz recebe odores e sabores, e sensações são detectadas e transmitidas para a mente.

O corpo humano também é um arranjo complexo de energias físicas.

Os átomos se reúnem para criar as estruturas orgânicas e os minerais inorgânicos que realizam as interações químicas do corpo, formando assim a base do controle hormonal e nervoso desse corpo.

O que vejo como velho ou jovem, feio ou bonito, masculino ou feminino também é o efeito desses níveis diferenciados de energias físicas.

Independentemente de quão maravilhosa possa ser a máquina do corpo, é a presença da alma que faz com que ela funcione.

Uma das diferenças básicas entre almas e átomos é o fato de que as almas podem escolher seus movimentos, aonde ir e quando ir a algum lugar, ao passo que os átomos não podem, obviamente, fazer isso.

De certo modo, poderíamos dizer que uma alma, ao contrário dos átomos, é um ponto-fonte de energia espiritual que tem a percepção de sua própria existência.

Alma que habita o corpo

A palavra atma tem três significados específicos: eu, o ser vivo e o habitante.

Dentro dessa única palavra obtemos um insight dos diferentes aspectos do eu: eu, o ser vivo, sou um habitante desse corpo físico.

A resposta à pergunta “quem sou eu” torna-se clara.

Sou uma alma, o ser interno vivo e inteligente.

Habito e dou vida ao corpo.

O corpo é o meio pelo qual eu, a alma, me expresso e experimento o mundo a minha volta.

Em vez de responder à pergunta com relação a minha identidade dando nome do corpo, designação do trabalho, nacionalidade ou sexo, o eu interno real simplesmente diz: “Eu sou uma alma, eu tenho um corpo”.

As diferenças básicas são mostradas no quadro abaixo.

A alma não é masculina nem feminina

Como uma energia, a alma tem dentro de si qualidades que são tanto masculinas quanto femininas.

Apesar de a alma ser, sem dúvida, afetada pelo sexo de seu corpo na forma de condicionamentos e influências sociais, esses aspectos são relativamente superficiais.

O eu verdadeiro não tem gênero.

Os egípcios da Antiguidade tinham arraigada consciência dessa verdade profunda mostrada no seguinte trecho de uma conversa encontrada no Livro Egípcio dos Mortos entre Ísis e seu filho Hórus:

Hórus: Como as almas nascem, masculinas ou femininas?

Ísis: As almas, meu filho Hórus, são iguais por natureza… Não existe ninguém entre elas, seja homem, seja mulher. Essa distinção só existe entre os corpos e não entre os seres incorpóreos.

Sinônimos de Alma

As seguintes palavras e expressões são essencialmente sinônimos da palavra “alma”: Espírito – Ser – Consciência - Anima-animus - Energia vital – Essência – Eu

Diferenças entre “EU” e “MEU”

As duas palavras mais comuns na maioria das línguas são, provavelmente, eu e meu.

Nossos mundos pessoais giram quase exclusivamente ao redor delas.

É preciso entender suas implicações mais profundas se quisermos delinear novamente nossos limites.

Normalmente, uso a palavra meu para referir-me a todas as coisas que não são eu — minha mão, meu rosto, minha perna ou até meu cérebro, minha mente, minha personalidade, e assim por diante.

Da próxima vez que eu disser minha alma, talvez me lembre de que realmente não posso dizer minha alma, pois eu sou uma alma.

A diferença entre eu e meu é a mesma que entre alma e corpo.

O exemplo de uma faca ilustra isso.

Posso usá-la para cortar um tomate ou para apunhalar alguém.

A faca nem decide nem experimenta, mas pode ser lavada facilmente debaixo de uma torneira.

É fácil perceber que a faca é um instrumento, mas é mais difícil perceber que os dedos são um instrumento também, e não apenas os dedos como também os braços.

As pernas são instrumentos para andar, os olhos para ver, os ouvidos para ouvir, a boca para falar, respirar e saborear, o coração, para bombear alimento e oxigênio para o corpo, e assim por diante.

Mesmo o cérebro é como um computador usado para expressar todos os programas de pensamentos, palavras e ações pelo corpo e para experimentar os resultados.

Se cada parte física do corpo é um instrumento, quem ou o que o está usando?

Muito simples: sou eu para si e a palavra meu para se referir ao corpo: minha mão, minha boca, meu cérebro. Eu sou diferente de meu corpo.

Por meio da consciência de meu, expandi-me muito longe — não apenas com relação ao corpo e às faculdades internas, mas com relação às posses e relacionamentos: minha casa, meu carro, meu filho etc.

Com o tempo, todos esses meus que tento agarrar escapam de meus dedos.

Percebo sua natureza efêmera e, por falta de alternativas disponíveis, tento me agarrar a elas ainda mais e, assim, desenvolvo apegos e dependências.

Enquanto essa identificação persiste, minhas qualidades inatas (isto é, o que é realmente meu) estão fora de alcance.

Quando assumo minha verdadeira identidade como um ser espiritual, imediatamente recebo também acesso ao amor, à paz, à felicidade e ao poder que são partes de mim.

Uma lista de todos os fatores que me criam limites provavelmente incluiria itens como idade, sexo, saúde, família, profissão, defeitos e fraquezas.

Ao reivindicar direito de posse de tudo isso por meio da palavra meu, estabeleço os limites dentro dos quais tento operar minha vida.

Tendo estabelecido minhas próprias cercas, sempre que a tristeza aparece, um desses fatores torna-se automaticamente o bode expiatório.

Em vez de apontar o dedo numa forma de acusação ou queixa, posso adotar uma abordagem mais positiva.

Posso ser mais realista e aceitá-los não como fatores limitantes, mas como instrumentos que podem ajudar-me a melhorar minha experiência de vida.

Essa mesma lista pode ser o trampolim de minha transformação e liberdade.

Posso fazer uso total do estado ou da energia da juventude de acordo com o caso.

Posso tirar vantagem das características positivas de meu sexo, mesmo apreciando as características do sexo oposto.

Minha família e vida profissional podem ser experimentadas num outro nível mais elevado.

Posso descobrir por meio de fraquezas e defeitos o quanto tenho de aprender sobre mim mesmo.

O problema não está na lista de fatores, mas na consciência que tenho deles.

É uma questão de duas palavras: eu e meu.

Alma - Posição, Forma e Atributos

As dualidades matéria-antimatéria, sensível-não sensível, físico-espiritual podem ser facilmente entendidas pelo conhecimento do mecanismo com o qual a consciência humana opera através do corpo.

A alma tem três funções básicas para desempenhar:

  • dar e manter a vida,
  •  
  • expressar e experimentar sua própria vida singular e
  •  
  • receber as recompensas ou os frutos das ações passadas desempenhadas em existências anteriores.

POSIÇÃO

Quando olho num espelho, não vejo meu reflexo, mas o de meu corpo.

De fato, a alma está olhando através das janelas dos olhos de algum ponto dentro da cabeça.

As funções sensitivas são controladas e monitoradas por meio dos sistemas nervoso e hormonal de um ponto específico na área do cérebro que aloja as glândulas do tálamo, hipotálamo, pituitária e pineal.

Essa região é conhecida como o assento da alma ou o terceiro olho.

A conexão entre o físico e o não físico ocorre por intermédio da energia do pensamento.

Quando vista de frente, essa região parece estar um pouquinho acima da linha das sobrancelhas, entre elas.

Muitas religiões, filosofias e estudos esotéricos dão grande importância ao terceiro olho ou olho da mente.

Os hindus usam um tilak, um ponto vermelho ou pasta de sândalo no centro da testa.

Os cristãos também fazem o sinal da cruz pondo o polegar nessa região.

Os muçulmanos também tocam esse ponto em saudação tradicional.

Quando alguém de qualquer cultura faz um erro tolo, intuitivamente leva a mão para o meio da testa.

Afinal de contas, não é o corpo que comete o erro, mas o ser pensante que está operando o corpo de um ponto específico.

Já que o cérebro é o centro de controle de todos os processos do corpo — metabolismo, os sistemas nervoso, endócrino, imunológico e linfático —, faz sentido que a pessoa interior esteja alojada em algum lugar do cérebro.

Assim como o motorista acomoda-se atrás do volante, segurando-o com as mãos, a alma “assenta-se” num ponto específico do centro do cérebro, próximo ao corpo pineal.

Isso é importante para os propósitos da meditação, pois esse é o local para onde a atenção é primeiramente direcionada no esforço de concentrar os pensamentos: eu sou a alma, um foco minúsculo de energia-luz consciente centrado no ponto entre as sobrancelhas.

Centro de emoções, humores e sentimentos

Quando dizemos “sinto algo bem aqui”, pondo a mão sobre o coração, nem sempre nos referimos a alguma coisa dentro do peito.

O coração físico é simplesmente uma bomba do sangue incrivelmente sofisticada.

Ele pode até ser transplantado!

Porém, dentro do eu real, o ser vivo e pensante, existe um centro de emoções, humores e sentimentos.

As sensações que muito obviamente sinto no corpo devem-se à total interligação que existe entre a alma e a matéria que ela está habitando.

Por exemplo, quando estou com medo de um cão, o sistema inteiro é ativado.

Do centro de controle, no meio do cérebro, a alma envia mensagens para todo o corpo.

A adrenalina é liberada para dar força extra aos músculos.

O coração começa a bater mais depressa, a respiração torna-se mais rápida e as palmas das mãos ficam úmidas.

Pode parecer que todos os órgãos têm sensibilidade e sistemas emocionais autônomos, mas a operação inteira dura tão pouco — uma fração de segundo — que nem percebo a coordenação das sensações e as respostas da alma a partir de sua própria cabine especial de pilotagem, no centro do cérebro.

Dessa forma, se sinto algo em meu coração por causa de alguma coisa ou de alguém, aquilo está realmente sendo processado por mim, o ser pensante, para depois refletir em meu coração.

FORMA

Todas as características presentes na alma são sutis ou não dimensionais por natureza — pensamentos, sentimentos, emoções, poder de tomar decisões, traços de personalidade, e assim por diante.

Se essas características são todas sem tamanho, então é razoável concluir que a energia consciente da qual elas surgem também não tenha tamanho.

Por essa simples razão, ela é eterna.

Uma coisa que não tem tamanho físico não pode ser destruída.

Como uma alma, não estou difuso pelo corpo todo nem sou uma duplicata invisível e etérea do corpo físico.

Mesmo que essa forma sutil exista, ela é o efeito da alma que habita a forma física, e não a alma em si.

Assim como o Sol está em um ponto e ainda assim irradia luz por todo o sistema solar, a alma está num local e sua energia permeia o corpo inteiro.

Para expressar algo que existe, mas não tem dimensões físicas, nós podemos usar a palavra ponto.

A alma, portanto, é um ponto infinitesimal de luz consciente.

Com a finalidade de termos uma imagem em que possamos fixar nossas mentes, podemos dizer que ela é semelhante a uma estrela em sua aparição.

Em meditação profunda, posso perceber a alma como um ponto infinitesimal de luz não física circundada por uma aura de forma oval.

QUALIDADES INATAS DA ALMA

Tudo o que vejo tem o que pode ser chamado de valor adquirido e valor inato ou inerente.

O valor adquirido é aquele que foi assimilado diretamente por associação durante a existência.

O valor inato é o que sempre é, independentemente da aparência.

Por exemplo, o valor adquirido do ouro muda com as oscilações do mercado.

Seu valor real ou inato prende-se ao fato de ser um dos minerais mais bonitos.

Ele é extremamente dúctil e maleável, por exemplo.

Se me perguntassem quais são as qualidades principais presentes num relacionamento harmonioso com alguém, eu poderia imediatamente responder: amor, paciência, tolerância, entendimento, empatia, e assim por diante.

Como sei disso?

Será puramente pela experiência?

Posso me lembrar de realmente ter experimentado completa e constantemente alguma dessas qualidades em algum relacionamento?

Provavelmente não.

Nesse caso, de onde vem essa ânsia pelo certo senão de um sentido inato do que é correto ou bom?

Como posso julgar ou perceber o nível de paz, amor ou felicidade de uma situação senão por uma projeção dessas mesmas qualidades que estão dentro de mim?

É como se elas se juntassem como uma régua sutil para medir o que acontece a minha volta de forma que os ajustes internos necessários possam ser feitos de acordo com a situação.

Se é bom ou ruim, pacífico ou confuso, minhas próprias qualidades inatas pelo menos me aconselham sobre o que está acontecendo.

O problema é que elas estão em estado latente e não se traduzem muito facilmente em ação.

Apesar de essas qualidades serem a base de meus ideais, quando estou enfraquecido sou incapaz de aplicá-las deliberadamente de acordo com as exigências do momento.

Elas precisam ser fortalecidas.

Assim, um dos benefícios mais imediatos na prática da meditação é melhorar o funcionamento desse medidor interno.

Minhas qualidades inatas estão simplesmente esperando uma chance de se manifestar.

Como uma lâmpada sem corrente, a possibilidade de acender minhas qualidades existe, mas elas precisam ser conectadas com uma fonte de força.

Isso é exatamente o que a meditação faz.

Os atributos inatos são propriedades imutáveis.

É impossível retirar o azul do céu ou a doçura do mel.

O azul e o doce fazem parte da constituição imutável do céu e do mel.

Do mesmo modo, independentemente do que eu me tenha tornado como ser, meus atributos inatos profundos ainda são os mesmos que sempre existiram em mim.

É o meu âmago interior de qualidade que, de fato, me inspira a buscar o ideal em tudo o que faço.

Se me perguntassem sobre uma lista de qualidades que são importantes em um relacionamento entre duas pessoas, coisas como respeito, honestidade, sinceridade, abertura e outras automaticamente brotariam na mente.

Mesmo se eu nunca as experimentei em memória viva, ainda assim, eu as busco.

O impulso de buscar e de sonhar vem de minha própria reserva de atributos inatos, que só está esperando para ser descoberta e trazida para a atividade prática.

As qualidades inatas da alma são as fundamentais.

Elas são tão básicas que constituem o alicerce de todas as virtudes e poderes.

*Paz *Verdade *Felicidade

*Amor *Pureza *Poder *Equilíbrio

Elas são como as cores primárias, e as virtudes são as secundárias.

Assim como o verde é feito do azul mais o amarelo, as virtudes, como paciência, tolerância, coragem, doçura, e assim por diante, são a combinação dessas qualidades básicas. Alguns exemplos:

Paciência — paz, amor e poder

Coragem — poder e verdade

Discernimento — verdade, paz e equilíbrio

O objetivo da meditação Raja Yoga é fortalecer meus próprios atributos inatos de forma que meu comportamento possa ser naturalmente virtuoso.

Extraído do livro Caminhos para uma Consciência mais Elevada, de Ken O’Donnell, publicado pela Editora Brahma Kumaris.

Fonte: Brahma Kumaris – www.brahmakumaris.org.br

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O Ser Verdadeiro Despido e Exposto

Dr. Roger Cole relembra os insights transformadores que obteve quando explorou a questão da morte e do morrer com um de seus grupos.

Um dos benefícios notáveis da autoconsciência correta é a relativa liberdade em relação às necessidades e dependências que normalmente governam nossas vidas.

Isso também estabelece uma nova referência para os termos ‘propósito’ e ‘significado’.

Tal orientação e liberdade capacitam uma pessoa a experimentar paz e contentamento sem deixar as responsabilidades “mundanas” para trás.

É um estado liberado, ainda assim influente e com o potencial de criar um mundo muito melhor.

Em relação aos cuidados com os pacientes terminais, temos a oportunidade de testemunhar esse potencial.

No meio dos anos 70, Elizabeth Kübler-Ross escreveu um livro marcante: Sobre a Morte e o Morrer.

Ela delineou cinco estágios de adaptação para uma condição terminal: raiva, negação, barganha, depressão e aceitação.

Quando o estágio final de aceitação é manifestado, podemos ver o exemplo da natureza original da alma emergir.

E, dentro desse exemplo, está imerso um espelho de oportunidade; a oportunidade de descobrir nosso verdadeiro ser.

Há um ou dois anos, pediram que eu falasse a voluntários de um sanatório sobre os aspectos espirituais no cuidado com pacientes terminais.

Durante a discussão, falei sobre esse estado de aceitação não como quem simplesmente reconhece a morte, mas como alguém que se compromete com a notável beleza de uma alma.

Com a esperança de fazer uma demonstração, perguntei se alguém ali já havia testemunhado tal beleza no momento de uma morte.

Uma integrante do grupo, June, voluntariou-se e disse que sim.

A morte de sua mãe havia sido assim, com uma aceitação verdadeira, apesar do fato de ela ter ficado de cama completamente dependente.

“Era lindo”, ela disse. “Minha mãe estava radiante de paz e o quarto totalmente preenchido com o seu amor. Todos lá sentiam-se elevados e felizes por sua companhia. Ela parecia muito contente. Era como se estivesse rodeada por luz… como um anjo. Nunca me esquecerei disso. Foi realmente especial.”

Não é mesmo maravilhoso que tal encanto possa emergir no momento da morte?

June e suas irmãs estavam com sua mãe no momento em que ela estava morrendo.

Eu lhe fiz algumas perguntas.

“Sua mãe estava preocupada com alguma de vocês naquele momento?” “Não”, disse June. “Ela sabia que estávamos lá, mas estava além da preocupação de como nós estávamos nos sentindo.”

“E sobre a sua fisionomia e as circunstâncias?”, perguntei. “Ela estava aborrecida por causa de sua aparência, ou sobre a doença, ou pelo fato de estar morrendo?”

“Não…,” ela pausou. “… Mamãe estava em paz consigo. Era como se seu corpo não existisse mais. Havia apenas serenidade, e não havia nenhum tipo de medo ali.”

“E sobre todos os problemas do nosso mundo?”, perguntei. “Sua mãe estava incomodada com os conflitos, privações e confrontos que estavam acontecendo?”

June riu, ao se lembrar da mãe.

“Mamãe sempre tinha uma opinião formada sobre tudo. Ela costumava assumir uma postura rígida em relação aos problemas ou raivosa, ou triste. Mas agora que você mencionou isso… não, ela não estava incomodada. Acho que deve ter simplesmente se desapegado de tudo…” – June hesitou – “…ela se desapegou de tudo.”

Essa última afirmação teve um efeito profundo na sala.

As palavras estavam carregadas de emoções positivas. Houve uma pausa, e então um curto silêncio, pleno e integrador.

A vibração do grupo ressoou com paz e harmonia na medida em que eu fiz-lhe a última pergunta.

“Em relação a ‘desapegar-se de tudo’, logo antes de sua mãe falecer, como ela estava? Sua mãe parecia estar carregando o peso de qualquer um dos papéis ou responsabilidades de sua vida?”

“Não, ela se tornou completamente livre… completamente livre!”

Naqueles últimos momentos conscientes de sua vida, a mãe de June havia se tornado completamente livre. E liberada.

Livre de todas as preocupações da vida.

Na essência de sua alma e “espírito vivo”; liberada – e ainda assim, ocupando os retalhos de seu corpo físico.

Em tal momento, a alma permaneceu despida e exposta, revelando o ser verdadeiro e autêntico.

Eu me refiro a isso como a plena aceitação manifesta, e o descreveria como um estado de graça.

Ou como um estado de verdadeira dignidade.

A maioria das pessoas sente que, quando há uma dependência ou uma necessidade de auxílio em suas funções físicas, ocorre a perda de dignidade.

Acredito que isso seja uma má concepção que reflete a ignorância humana.

Ignorância essa que nasce da consciência do corpo.

À medida que estivermos explorando esse conceito mais adiante, veremos como a mãe de June mostrou-se uma prova viva dessa ignorância.

Espiritualmente ela estava num estado de graça, revelando sua personalidade verdadeira e original através da liberação.

As perguntas que fiz a June pretendiam explorar quatro diretrizes principais através das quais a liberação deixa a alma livre e vibrante:

  1. a liberação dos papéis e das responsabilidades da vida;
  2.  
  3. a liberação de ser afetado por problemas, num mundo cada vez mais complexo;
  4.  
  5. a liberação do mundo material, incluindo o corpo físico, suas doenças e aparência;
  6.  
  7. e a liberação dos apegos que formamos numa vida de relacionamentos.

Através dessa liberação, a mãe de June entrou em um estado de ser em que ela estava livre da consciência de seu corpo.

Ela se tornou completamente “consciente da alma”.

Em tal experiência, ela naturalmente preencheu o quarto com um brilho de amor, paz e aceitação.

E, aqueles que estavam em sua presença, ficaram felizes e pacíficos.

Acredito que isso refletiu um retorno à sua condição original.

Sua condição antes de nascer, a de uma alma pacífica.

Amar e desapegar

Testemunhando esse exemplo, podemos ver o estabelecimento da consciência da alma face à morte.

Então alguém poderia perguntar, por que esperamos tanto para encontrar tal serenidade?

E por que somos forçados a ser submissos – pela morte – antes que possamos amar e nos desapegar?

Evidentemente, é possível fazer isso durante a vida, e a mãe de nossa voluntária tentou nos mostrar isso.

A pergunta é: “Como?”

Considero que a transformação começa com a iluminação.

E essa iluminação é concedida como um presente de percepção, não requerendo qualquer esforço por parte do beneficiado.

Quando há o reconhecimento da oportunidade que a iluminação oferece, a transformação pode ocorrer.

A diferença é que, nesse caso, um esforço deve ser feito.

Na iluminação, a experiência do indivíduo é semelhante à da mãe de June.

O crescimento espiritual ou a transformação se referem a manter esse amor e essa luz constantemente.

O esforço precisa ser feito em duas direções simultaneamente: na direção do estado de ser; e na direção do estado de liberação.

Na verdade, ambos estão intimamente associados.

O esforço principal é o de se tornar consciente da alma e livre de dependências.

Liberado!

Isso representa uma identidade completamente nova.

Para a mãe de nossa voluntária, essa liberação foi alcançada diante da morte.

No processo do falecimento, ela se tornou completamente desapegada de todas as direções externas a si, ou seja, externas à alma – o ser verdadeiro e autêntico.

Ao fazer isso, ela se tornou um vasilhame de influência divina, irradiando amor, luz e paz àqueles ao seu redor.

Desapegou-se de sua família, ainda que eles estivessem experimentando amor a partir dela.

Amor espiritual puro.

Vocês não acham um paradoxo ela ter se tornado tanto amorosa quanto desapegada?

Totalmente despreocupada sobre o bem-estar de qualquer um?

Apesar disso, era amorosa e, quase sem fazer esforço, preenchia a necessidade de todos por paz e felicidade.

Sua beleza espiritual emergiu com a exposição de sua alma.

Através dessa nudez, sementes de transformação emanaram num brilho de pureza.

E, como um espelho, ela estava revelando a natureza verdadeira da alma a qualquer um que entrava em sua presença.

June disse, “era como se ela estivesse rodeada por luz… como um anjo”.

Acho que ela era um anjo

Ao alcançar o estado de graça, a mãe de June também revelou essa meta e objetivo do crescimento espiritual: o de se tornar um anjo; ou, consciente da alma.

A partir desse exemplo, torna-se evidente que é possível fazer isso.

Sua consciência de alma foi o estado de consciência (ou do ser) que serviu e elevou os outros.

Ele emanou um brilho automático e natural de virtudes puras.

Com uma folha do livro dela, como feitores de esforços iluminados, podemos nos transformar e nos tornarmos servidores holísticos, espirituais, quaisquer que sejam nossos papéis sociais ou profissionais.

Enquanto a mãe de June foi forçada por suas circunstâncias de morte, nós temos a oportunidade de “abraçar a luz” de acordo com nossa vontade própria.

Ao dar-nos esse exemplo, ela nos proporcionou essa oportunidade.

Uma oportunidade para aquisições até mais elevadas que as dela.

Desapegar e abraçar a luz

Enquanto ela encontrou liberação e autorrealização na morte, nós podemos fazer isso durante a vida.

Mas, primeiramente, temos de largar medos e más concepções e compreender o paradoxo.

Ao nos desapegarmos daqueles a quem nós amamos, transformamos a qualidade daquele amor em algo divino e incondicional.

Será que temos confiança para nos desapegarmos dos relacionamentos?

Ou será que o nosso medo de perdermos algo é tão grande?

Não é fácil desapegar-se de um mundo do qual você passou a depender.

Mas é algo maravilhoso render sua vida a um poder maior pois, na rendição, você se torna um instrumento, sem nenhuma carga sobre seus ombros.

E você descobre o deleite da leveza no serviço da humanidade.

Acho que os anjos não ficam tão preocupados sobre as coisas.

Ademais, por que eles deveriam?

Afinal de contas, eles são apenas ajudantes de Deus.

A mãe de June nos deu um relance da meta e objetivo pessoal dentro da transformação e do crescimento espiritual.

E nós vimos, além da iluminação, o estado de graça.

Tal estado que inspira a alma a fazer esforço para ser ela mesma, e tornar-se livre, liberada da consciência do corpo.

Mencionando isso, quero dizer sobre termos uma percepção separada do corpo físico; e sermos liberados das quatro direções: dos apegos, das responsabilidades, de ser afetado e do mundo material.

Estamos agora adentrando na jornada do indivíduo.

Ao fazermos isso, teremos o cuidado de lembrar que quem quer que viaje por esse caminho entra num plano divino.

Um poder maior inspira a autotransformação e que esforços sejam feitos.

A iluminação é um presente de um poder maior.

E a motivação para fazer a jornada é sustentada a partir dessa fonte divina.

Também nos lembraremos de que o indivíduo que faz a jornada contribui com vibrações espirituais para a transformação do mundo.

Cada um é singular.

Cada um foi selecionado, cada qual com um papel a desempenhar.

Ainda assim, não é apenas um que é o especial.

Cada um está redescobrindo o seu verdadeiro ser antes de permitir que ele permaneça despido e exposto!

Roger Cole é médico especialista treinado em oncologia. Atualmente ele dirige o Palliative Care Service (Serviço de Cuidados Paliativos) na Austrália. Esse texto foi extraído de seu próximo livro a ser lançado, A Tapestry of Light (Uma Tapeçaria de Luz). Foi originalmente publicado por BK Publications (www.bkpublications.com) na Retreat Magazine.

Fonte: Brahma Kumaris - www.brahmakumaris.org.br

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O Santo Graal da Elevada Autoestima

Lesley Edwards vai direto ao centro do desafio que confrontamos diariamente – a reconstrução e a manutenção da elevada autoestima.

No primeiro artigo sobre a construção da autoestima (A Bela e a Fera), descrevi os primeiros dois passos, a saber, conhecendo-se e aceitando-se: conhecer e aceitar você mesmo como é, bom e mau; e saber e aceitar você como poderia ser, fazendo a escolha para perceber o seu potencial completo para uma transformação positiva e apreciar o processo espiritual que torna isso possível.

Tendo entendido e aceitado de onde você vem e para onde você vai, o próximo passo é comprometer-se com a jornada.

O desafio de construir a autoestima verdadeira é uma peregrinação na busca do Santo Graal.

O Santo Graal é o nosso valor, nosso propósito na vida, nossa dignidade, nossa beleza, amor verdadeiro e uma paz mental preenchedora.

Jornadas podem ser coisas perigosas.

Às vezes é mais seguro permanecer em casa com o conforto da recusa e apegos e sistemas de suporte que nos dizem o quão maravilhosos somos – abençoadamente ignorantes de todo o trabalho que precisa ser feito.

É quando nos aventuramos fora de nossas zonas de conforto que somos testados e desafiados.

Proteja-se

O terceiro passo para construir a autoestima é proteger-se.

Isso significa ter cuidado.

Você tem inimigos.

Haverá forças trabalhando para impedi-lo de alcançar a sua “Sala da Alma”, aquele espaço interno onde você pode sustentar a sua consciência de alma e cultivar a sua conversa com Deus.

Vozes vão chamar por você a partir de outras salas: “Onde você está?”, “Precisamos de você aqui!” Elas vão impedi-lo de saber e aprender sobre Deus, o mestre arquiteto do seu novo eu.

Numa peregrinação, enquanto você está reconquistando a sua autoestima, é melhor viajar sozinho pelo menos durante a parte substancial da jornada.

O propósito da sua vida no momento é achar o Santo Graal.

Mas isso não é um fim em si mesmo.

O mais importante é o que você fará com ele depois que o encontrar.

Então, o propósito da sua vida é doar, expressar, compartilhar o que você achou.

É verdade que num certo sentido você não pode separar os dois, pois ao doar, expressar e compartilhar você também se descobre.

Mas é um equilíbrio delicado e, como tal, facilmente perdido.

Portanto, se estiver viajando próximo a outros, assegure-se de dar-se espaço suficiente.

Enquanto Noé construía a sua arca, as pessoas vinham e caçoavam dele.

“O que está fazendo, Noé?” Eles pensavam que Noé estava louco.

Pode ser que os outros não entendam por que você quer ir à sua Sala da Alma para ficar quieto e conhecer Deus.

A lagarta não é a fase mais atraente na vida da borboleta, mas é um passo essencial.

Sem lagarta, sem borboleta, é simples.

Deus tem uma ordem de preservação sobre você nessa época.

Confie e tenha a fé de que se você continuar indo para dentro de si a fim de encontrar poder, então, o poder fará o seu trabalho.

Proteger-se tem muito a ver com os relacionamentos na sua vida, seu relacionamento consigo mesmo, com Deus e com outras pessoas.

Ponha seu relacionamento consigo e com Deus em primeiro lugar.

Suas lições virão através de outras pessoas, mas não perca de vista quem está aprendendo e quem está ensinando.

Os relacionamentos com os outros são um modo de nos conhecermos num nível mais profundo.

Eles são intensos, interessantes e verdadeiros.

Precisamos de alguém para nos sacudir, para espelhar de volta para nós a nossa realidade.

Mas precisamos ter cautela em relação ao que eles estão espelhando de volta, qual realidade, qual identidade.

Se você está numa peregrinação para encontrar a sua verdadeira identidade, tenha cuidado com o que as outras pessoas veem em você, pois você se verá com aqueles olhos também, e isso poderá dar-lhe uma sensação falsa de segurança; você pensa que está bem, quando na realidade há muito com o que poderia estar trabalhando em si.

Quando você é próximo a algumas pessoas, sua percepção fica misturada com a percepção deles; às vezes você não pode sequer dizer se seus sentimentos são seus mesmos ou deles.

Se eles não estão vendo a si próprios claramente, irão projetar o que eles não gostam neles em você, e se você não estiver fazendo o seu trabalho adequadamente, projetará neles aquilo de que não gosta em você!

Todos os relacionamentos são uma troca de força, as pessoas competem por energia: A e B tomando suporte um do outro, até que A não tenha mais a energia ou interesse e retira o sentimento. E B, tendo se tornado dependente, é então incapaz de encontrar aquela energia tanto de dentro quanto de qualquer outro lugar.

Num relacionamento ideal haverá uma troca de amor de alta qualidade.

Uma pesquisa científica recente de Nova York, que tem atraído a atenção da mídia, identificou três tipos de amor: luxúria, atração e apego.

Luxúria e atração falam por si mesmas.

Elas podem ser muito divertidas, mas pode haver um preço muito alto a pagar em termos de sua autoestima, e elas, por fim, causarão distração para qualquer um numa peregrinação verdadeira.

O apego talvez prometa um amor mais profundo, mas quantas pessoas você conhece que não podem viver um sem o outro, mas que não podem realmente viver um com o outro também?

Eles amam odiar um ao outro!

Portanto, seja cuidadoso com a qualidade de seus relacionamentos.

Você realmente está preparado para amar outro ser humano adequadamente?

Ou precisa aprender a amar-se primeiro?

As coisas que nos atraem às outras pessoas são frequentemente qualidades que nós mesmos gostaríamos de ter.

Se somos calmos e gentis, poderemos achar atraentes as pessoas extrovertidas e confiantes.

Se somos fortes e dinâmicos, poderemos achar atraentes as pessoas gentis e calmas.

Em qualquer caso, a única e verdadeira solução definitiva é encontrar dentro de nós qualquer qualidade que estamos procurando no outro.

Isso porque o poder que pode ser encontrado no retorno ao estado natural da alma tem todos os ingredientes necessários para a confecção de qualquer qualidade.

Dentro da lagarta da transformação espiritual existe um equilíbrio perfeito de qualidades; um equilíbrio do masculino e do feminino dentro de todos nós.

Assim, todos podemos ser fortes e gentis, responsáveis e livres, aventureiros e cautelosos.

Quando vemos a alquimia daquilo que foi fraco tornar-se forte, daquilo que foi idealista tornar-se visionário, daquilo que foi preocupação tornar-se liberdade – então, os relacionamentos mudam de dependentes para interdependentes, de prejudiciais para saudáveis.

Deus nos ensina a amar a nós mesmos.

Por Ele não ter nenhuma agenda escondida, Ele refletirá de volta para nós somente nossas qualidades mais elevadas.

Nós não seremos capazes de projetar Nele nossas próprias fraquezas; simplesmente teremos de aceitá-las e nos apropriar delas.

Ele não se projetará em nós, porque Ele não tem fraquezas.

Ele não tirará nossa força, nem retirará o Seu poder, porque é ilimitado.

Ter um relacionamento com Deus é necessário quando nossas baterias acabam.

E isso é o que pode acontecer para qualquer um procurando pela autoestima.

Potencialização

O passo final para construir a autoestima é se potencializar.

A força vem de todos os tipos de lugares.

Algumas energias serão temporárias, como a excitação da cafeína ou da cocaína, que termina deixando você se sentindo por baixo.

O ímpeto da energia de uma atração temporária também pode deixá-lo sentindo-se vazio quando enfraquece, ou machucado quando não é recíproco.

Até mesmo voar alto no sucesso e nas aquisições leva consigo a inevitabilidade de descer à Terra com um choque quando existe criticismo e mal-entendido.

A energia verdadeira o deixará tranquilamente confiante, contente, satisfeito, receptivo, amoroso e em paz.

Você se sentirá conectado à sua própria bondade interior, à fonte de bondade do universo e à bondade nas outras pessoas.

Você ficará estável e calmo quando as coisas estiverem indo bem ou mal. Você não precisará culpar ou criticar alguém ou algo.

Você se amará – o que significa cuidar de suas necessidades físicas, comendo a comida apropriada, fazendo exercícios.

Você despenderá tempo sozinho sendo criativo, meditando ou apreciando o silêncio, feliz com sua própria companhia e feliz na companhia dos outros.

Conhecerá suas limitações e delineará fronteiras claras com confiança e calma quando estiver no trabalho e em compromissos.

Para manter esse estado de autoestima, você precisará ser muito cauteloso sobre o que causa perdas à sua força interior.

A força escoará se você não for verdadeiro consigo mesmo.

Todos nós temos um barômetro interno que nos indicará quando estivermos fora da trilha.

Profundamente dentro da alma, na silenciosa Sala da Alma do nosso ser, está a nossa consciência.

É nossa sabedoria interna, a parte de nós que sabe realmente que o amor é um estado do ser mais natural do que o ódio, que a paz é mais natural do que o estresse.

E ela sabe quando violamos nossa própria verdade através de nossas fraquezas, compulsões e sendo influenciados pelos outros.

Nossa consciência dói.

Tornamo-nos prisioneiros de nossa própria consciência.

Eu disse anteriormente que Deus não recolhe Seu poder, mas nós podemos nos privar de tomar o poder da bondade de Deus, e encontrar força na nossa própria bondade se não somos verdadeiros com nós mesmos.

Se nos enganamos, se nos esquecemos de quem realmente somos, se tomamos rápidas doses de energia ao criticar os outros, por entrarmos em ganância ou opções fáceis, nossa energia se escoará.

Se abusamos de nós ou de alguém, de algum modo não teremos uma consciência clara.

Isso acontecerá em nossa mente.

E quando formos à nossa Sala da Alma, não haverá paz, mas punição.

Punição autoinfligida, a punição de uma mente atribulada.

É um paradoxo da espiritualidade, que a verdadeira autoestima vem quando nós, de fato, vamos além de nosso “eu”.

Se transcendermos a nós mesmos, se não tivermos desejos egoístas ou teimosos, podemos nos tornar instrumentos da vontade de Deus.

Então, nosso propósito na vida torna-se muito claro.

E é somente quando temos um propósito claro que podemos ter autoestima verdadeira.

Quando vamos além de nossos “Eus”, então, encontramos a alma.

Então, nosso propósito na vida torna-se simplesmente aprender a amar e trazer paz à Terra de qualquer maneira que pudermos.

Pode ser através da composição de uma sinfonia ou de assar bolos. Isso realmente não importa.

Por dezesseis anos, Lesley Edwards dedicou-se ao desenvolvimento espiritual interior com a Brahma Kumaris. Sua carreira levou-a a ensinar, e ela se entregou de coração a seu trabalho com crianças em diversas escolas de Londres. Permaneceu igualmente comprometida com sua busca espiritual. Como estudante e professora na Brahma Kumaris, ela foi um membro muito amado e respeitado na família BK. Por quase quatro anos, conduziu uma grande batalha interior com a esclerose múltipla e, por fim, o câncer. Faleceu em junho de 1999, mas o legado que deixou nos corações e mentes de todos que a conheciam foi a visão de imensa coragem, serviço altruísta e aceitação serena de seu papel entre nós nesta vida.

Durante seus últimos cinco anos, uma de suas principais áreas de foco foi o desenvolvimento da autoestima. Ela desenvolveu e conduziu cursos pelo Reino Unido, compartilhando tudo o que aprendeu em sua própria jornada. Este é o segundo de dois artigos que ela escreveu antes de sua morte. Como você viu, pela maneira profunda e articulada com que discorre sobre esse importante tópico, ela realizou seu trabalho interno e falou diretamente de sua própria experiência.

Fonte: Brahma Kumaris - www.brahmakumaris.org.br

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O Tríplice Caminho – Condução à Paz Interior

Recentemente, o jornal local noticiou um grande aumento nos números de casos de violência na cidade de Belo Horizonte.

Isso, porém, não nos surpreende visto que no país inteiro ou até mesmo no planeta, notamos o crescimento da violência e do negativismo.

Essa realidade acarreta consequências diretas como o medo e o temor pelo pior em nossas vidas.

Um repetido receio de sermos assaltados, sequestrados, roubados, agredidos ou mortos.

Não bastassem os temores já citados, constantemente somos visitados por outros medos, os de ordem moral, emocional e até espiritual.

Os terreiros estão repletos de pessoas receosas de serem atacadas por essas situações.

Elas também temem pelos integrantes da família e pela fragilidade do estado de pensamento, pois, vez ou outra esses indivíduos se sentem culpados pelos atos praticados durante o dia e que lhes pesam na consciência.

Na verdade, essa culpa acaba por induzir e conduzir inconscientemente, essas pessoas a fugirem da realidade existencial.

A “Doutrina do Tríplice Caminho”[1] instrui e direciona o indivíduo para o combate à ignorância, ao ódio e aos apegos.

Vejamos como isso pode, de forma prática, servir para a convivência cotidiana.

Vivemos em um mundo basicamente consumista e mesquinho no qual diariamente somos bombardeados com campanhas de incentivo ao consumo e à ostentação.

Como um vício que não tem limite, sem perceber, o ser humano passa a adquirir mais do que se precisa e a matéria ganha mais valor que o espírito.

Cresce então o apego ao material e ao status quo do indivíduo, ou seja, a sua posição social.

Prova disso, são os muitos espíritos necessitados que após o desencarne se manifestam, registram suas insatisfações quanto à nova realidade no mundo espiritual onde não possuem mais seus bens materiais conquistados na terra.

Outra forma de apego que fragiliza o espírito humano são as tristezas e amarguras que vivenciamos em nossos dias, pois acabam por criar raízes profundas nas almas de muitos.

Achamos ainda aqueles que dizem que “pau que nasce torto, nunca se endireita”, abrem mão da mudança positiva tão necessária ao soerguimento espiritual.

Acredito que não seja segredo para os adeptos de terreiro que, na Umbanda, aprendemos com os caboclos a virtude da AÇÃO como mudança de postura, como coragem de tentar novamente, agora com mais experiência.

Como dádiva divina que conserva em nós a vitalidade da juventude.

E não precisa ter pouca idade física para ter ação.

É preciso ter atitude.

No contexto atual, habitamos numa sociedade com os “nervos à flor da pele”.

Toda irritação, ato violento e rancor tendem a ser maiores do que deveriam.

E aí surge novamente a Umbanda e a Doutrina do Tríplice Caminho, agora representadas pelas “crianças ou ibejis”[2], a nos ensinar coisas do amor.

AMOR que acalma nossos sentidos, que acalenta nossos corações.

Sublime sentimento que nos oferece nova chance, a fim de nos tornarmos melhores e, portanto, mais próximos da nossa essência espiritual.

Dando sequência as nossas observações, notamos que muitas pessoas adoecem vítimas de males físicos, morais e mentais.

Multiplicam-se as manifestações das dores de consciência de forma mais acelerada que as dores físicas.

E, carinhosamente, mais uma vez se manifesta a Umbanda através dos “Pais e Mães Velhos”[3], que com candura e o jeito simples e, representando a Sabedoria e a Humildade, mostra-nos de que devemos ser portadores.

SABEDORIA que alivia as tensões da ausência de conhecimento, que nos permite refletir de maneira clara e divina, que nos faz lembrar a interdependência entre todos, fortalecendo em nós o respeito e a fraternidade.

É assim, então, que a Umbanda desdobra-se na tri-unidade da própria essência e cria, no movimento de sua magia, os seus caminhos de condução ao PAI.

Com as poderosas armas da Sabedoria, do Amor e da Ação efetiva, somos libertos das amarras dos medos e receios nascidos da ignorância, dos ódios e dos apegos.

Dessa forma, na medida em que nos conscientizamos do quanto somos ilimitados em nossas possibilidades de crescimento espiritual, podemos partir confiantes rumo ao nosso aprimoramento, certos do amparo divino dos Mentores da Umbanda, seja neste tempo de hoje ou sempre.

Encerro este texto com o trecho do livro de nosso avô de santé, W.W. da Matta e Silva[4], que desvela ainda mais sobre a Senhora da Luz, a Umbanda de todos nós.

Saravá Umbanda!
Tashirodhan
———
[1] Doutrina do Tríplice Caminho – Doutrina de Umbanda que nos ensina a pensar, sentir e agir de maneira alinhada e positiva, a fim de combater a ignorância, o ódio e os apegos.
[2] Crianças ou Ibejis – Entidades espirituais que se manifestam com a roupagem de criança, apesar de serem espíritos de alto conhecimento e luz. Fazem parte da falange de Yori.
[3] Pai e Mãe Velhos – Também conhecidos como Pretos Velhos. Espíritos que se manifestam com a roupagem de antigos escravos na fase da velhice. Entidades dotadas de enorme conhecimento da psique humana e trabalham para alavancar as mudanças positivas no âmbito mental do ser humano.
[4] Woodrow Wilson da Matta e Silva – grande médium da umbanda, também chamado de Mestre Yapacani (nome iniciático), que através de sua mediunidade revelou grandes conhecimentos sobre a umbanda orientado pelo seu mentor Pai Guiné e toda sua falange.
———

Fonte: A.U.E.A. - AGRUPAMENTO DE UMBANDA DA ESTRELA AZUL - TEMPLO DO SR. CABOCLO COBRA CORAL CONFRARIA DA ESTRELA AZUL

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