Múmia Alienígena encontrada no Peru

A notícia não é exatamente nova, as versões é que foram sendo atualizadas.

O caso concreto é de um humanoide com genoma muito parecido com o nosso, mas com aspectos anatômicos bem diferentes, sugerindo, de forma quase inequívoca, tratar-se de uma raça alienígena que andou espalhando seus genes pelo planeta a milhares de anos atrás.

Uau!

A matéria completa (em inglês) está aqui.

https://www.youtube.com/watch?v=GGBumOxB6Vw

Pesquisadores russos analisaram amostras de tecidos de uma das misteriosas criaturas alienígenas descobertas no Peru no ano passado.

A múmia, com um crânio alongado e apenas três dedos, excitou os ufologistas desde a sua descoberta.

NOTA EDITORIAL: Esta história foi atualizada com informações sobre a questionável pesquisa passada de Konstantin Korotkov para dar aos leitores uma melhor perspectiva sobre suas alegações relativas às múmias peruanas.

Análises preliminares das amostras de tecidos revelaram que a múmia, encontrada em uma tumba perto das linhas de Nazca no Peru e batizada de Maria, é um "ser humanoide" com 23 pares de cromossomos - considerados, até então, tão humanos quanto os meus e os seus cromossomos.

Essa múmia tem aproximadamente 1.500 anos, viveu cerca de mil anos antes da chegada dos europeus à América.

Konstantin Korotkov, professor da Universidade Nacional de Pesquisa de São Petersburgo, e Natalya Zaloznaya, radiologista e especialista em tomografia computadorizada do Instituto Internacional de Sistemas Biológicos, coletaram amostras de tecido no Peru e as levaram para análise na Rússia.

O professor Korotkov é conhecido por suas pesquisas sobre fenômenos científicos duvidosos.

Entre outros exemplos, ele é defensor do uso de técnicas de década de 1930, para criar imagens das auras das pessoas, que ele afirma poderem ser usadas para diagnosticar doenças no lugar de tomografias e raios-X.

Ele também afirma ter encontrado provas de vida após a morte e filmou a atividade da alma de uma pessoa morta.

Korotkov acredita que Maria poderia ser uma representante de uma determinada raça que evoluiu muito mais cedo do que nós, "talvez milhares de anos antes", disse ele.

O professor sugeriu a hipótese desta raça ter sido extinta como resultado de uma inundação ou queda de cometa.

Agora, a equipe está interessada em descobrir como a composição de Maria se assemelha à de pessoas na América do Sul, na África ou em outros lugares.

"Estamos fazendo uma análise detalhada para ver se a posição de todos os cromossomos, de todos os aminoácidos, coincide com a nossa", disse Korotkov à Mir 24.

A radiografia e a tomografia computadorizada mostraram que Maria tem uma estrutura de costela muito diferente da humana.

Em forma de quilha na parte superior com um punhado de costelas semicirculares, a gaiola protege os órgãos internos da criatura, que se assemelham aos dos seres humanos.

"Nós vemos claramente os contornos da traqueia e dos brônquios, do coração e de suas câmaras; podemos até ver a forma das válvulas. Também podemos ver claramente os contornos do diafragma, do fígado e do baço", explica. Zaloznaya

Os cientistas também descobriram que Maria foi embalsamada com um pó branco de cloreto de cádmio, cujo efeito antibacteriano preservou Maria até hoje.

Os pesquisadores agora estão trabalhando em estreita colaboração com seus colegas peruanos para continuar decifrando o genoma e quebrar seu código de DNA, relata Mir 24.

Além de Maria, o professor Korotkov analisou mais quatro múmias no Peru, todas do sexo masculino com um DNA de 23 pares de cromossomos, como nós.

No entanto, “eles parecem humanos, mas não são. Sua estrutura anatômica é diferente ”, diz Korotkov.

"Eles podem ser extraterrestres ou bio robôs" (avatares).

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João de Deus e o truque do sistema

Estão armando prá cima dos espíritas

É preciso coragem para vir aqui e expor esse pensamento.

A maioria prefere o silêncio.

Estamos falando desse escândalo envolvendo um famoso médium espírita da cidade de Abadiânia/GO, acusado de agredir sexualmente mulheres, inclusive a filha.

O depoimento da filha é estarrecedor.

Eu sou casado, tenho uma filha, esses assuntos são especialmente relevantes para mim, tenho uma tendência quase instantânea em atacar supostos agressores de mulheres.

Mas esse caso é uma armação.

No todo ou a maior parte.

Cruel, ampla, profunda, e contra todos os espíritas e espiritualistas.

Não vou defender o João, sequer o conheço, e é bem possível que ele tenha "alguma culpa no cartório".

E também não vou perder tempo em discussões moralistas, um elemento anacrônico, nocivo, que apodrece a árvore do espiritismo..

Entendo que a "culpa no cartório" são eventuais deslizes de comportamento decorrentes de uma atração exacerbada pela carne.

Que é normal, faz parte da nossa humanidade.

Mas isso não faz do João um tarado violento, torturador, chefe do crime organizado, traficante, e outros que tais que o estão acusando pelas ruas do país.

Muito menos desfaz décadas de dedicação à humanidade!

Isso é um golpe!

Incrível como tenho repetido essa frase nos últimos anos.

O ataque não é contra o João, é contra a fé dos espíritas.

É uma tentativa de destruição de religiões.

Acordem!

Ao transformarem o João num monstro, quem está por trás desse golpe ataca o núcleo do espiritismo, que é a comunicação com os espíritos.

Porque nenhum guia avisou sobre esses terríveis deslizes?

São décadas de trabalho e ninguém percebeu o louco que estava ali?

Não precisa faculdade extraordinária para perceber energias dessa natureza, então como é que os espíritos não deram alarme antes?

E por todas essas razões e pela espetacularização do caso, por essa super criação narrativa, que nos aterroriza, nos angustia, é que eu afirmo com muita tranquilidade que isso é armação.

No todo ou em parte, insisto.

E parece que algumas pessoas estão condenadas a repetir o mesmo erro, sempre, sempre..

Vocês não conseguem enxergar o caos que os envolve?

Basta soar as trombetas e correm a atirar pedras..

.. loucos de raiva..

Já estão dizendo até que o João nunca foi espírita..

.. como assim?

Tudo será reformado, inclusive o Movimento Espírita.

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Cura, só pela expansão da consciência

Espíritas (umbandistas, candomblecistas, kardecistas, evangélicos, entre outros) certamente já ouviram falar das curas nos terreiros, templos e igrejas, sendo que a maioria já participou, direta ou indiretamente, de algum processo dessa natureza.

O passe, normalmente através da imposição de mãos, é uma das práticas mais comuns nesse meio.

Existem vários outros recursos, como os chás, os banhos de ervas, os aconselhamentos, simpatias, rezas, enfim, um arsenal utilizado para acudir os consulentes, a assistência, etc.

Olhando de longe, talvez vc enxergue um terreiro (ou templo ou igreja ou tenda) como sendo formado por pessoas "perfeitas", a quem devemos recorrer para buscar ajuda.

Mas a verdade é que TODOS os espíritas são (muito) IMPERFEITOS, sendo sua "atividade" parte do seu processo de resgate.

Ou seja, o espírita, um ser imperfeito, precisa que existam pessoas "necessitadas", crentes, dispostas a lhe pedir ajuda, é uma simbiose.

Dessa relação surgem pequenos ganhos para ambas as partes, mas isso está muito aquém do necessário para a evolução da raça humana.

Está muito aquém do que precisa ser feito neste momento crucial.

Além de perceber a irrelevância do assistencialismo, chamo a atenção para um outro fenômeno decorrente de uma relação fundamentalmente passiva: o consulente vai até o espírita, recebe lá os passes, os conselhos e tudo mais, depois volta para a sua vida, para tudo aquilo que lhe causara o problema.

É como enxugar gelo.

Por exemplo, um caminhoneiro que passa muitas horas sentado em um banco torto que lhe provoca fortes dores na coluna.

Aí ele procura um massagista que dá aquela ajeitada na espinhela, mexe com os músculos, articulações, alivia as tensões, melhora a fluidez das energias, e o sujeito sai da consulta super aliviado.

Beleza.

Mas no dia seguinte volta para o banco torto (porque tem que trabalhar e ele só conhece aquela forma), e o resultado conquistado com o massagista acaba sendo muito fugaz.

Assim acontece com a maioria das pessoas que buscam ajuda espiritual neste momento.

Após as sessões de cura, a pessoa volta para todas os seus vícios de comportamento, justamente porque desconhece outra forma de viver.

Não somente os consulentes, também os médiuns, de todas as denominações, acabam tendo uma "vida dupla", pregando uma coisa e fazendo outra, suportando conceitos contrários à sua crença.

A "chave" da evolução, "o caminho", portanto, não é puramente assistencialista, como diz o dito popular, é preciso ensinar a pescar, não dar o peixe.

Ressalva 1: é óbvio que em vários casos vc precisa primeiro dar o peixe, alimentar a pessoa;

Ressalva 2: esse conceito (ensinar a pescar) é praticado (de certa forma) há séculos pelos kardecistas, entre outros.

Nós estamos vivendo momentos dramáticos, sobretudo quanto à nossa relação com o planeta.

De certa forma, as pessoas vivem em um mundo deformado que elas próprias ajudam deformar.

É um círculo vicioso que só pode ser "quebrado" a partir de ações cotidianas praticadas pelas próprias pessoas.

É claro que existem "demônios", "forças do mal", "entidades das trevas" e tudo mais, assim como existem as entidades de luz, os anjos de proteção, os guias..

.. mas essa luta é do homem consigo mesmo.

É uma batalha que se desenvolve dentro das pessoas.

Não tem passe que dê jeito.

A cura possível virá da expansão da consciência, nossa tarefa é criar escolas e mecanismos que ajudem as pessoas entenderem a sua presença no planeta.

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Budismo e Palavras Carregadas

Alguns temas de debate internos ao budismo são recorrentes, muitas vezes ocorrendo por mera inexistência de uma nomenclatura livre de equivocidades, visto que os signos são os mesmos ainda que os sentidos variem de contexto para contexto — e isto ocorre não só entre linhagens diversas, mas mesmo entre diferentes conjuntos de ensinamentos numa mesma linhagem. Além disso, a variedade de traduções e o caráter difícil destas traduções para línguas ocidentais—devido às dramáticas diferenças culturais — cria um jargão específico, e muitas vezes debatedores habituados com os usos muito peculiares destas palavras traduzidas no contexto do budismo não conhecem a história ou sentido comum destes termos dentro da cultura ocidental.

Algumas questões disputadas em particular são muito comuns — e mesmo a tarefa de descrevê-las com uma terminologia direta não é fácil, já que elas ganham miríades de formas dentro de um conteúdo que no fundo muitas vezes se resume a alguns poucos pontos. Ainda assim, parece ser necessário delinear do que tratam estes problemas tão comuns para evitar que eles sejam banalizados, particularmente porque eles supostamente estão no cerne da definição do que seja ou não darma do Buda.

Tendo isto em vista, a primeira questão que podemos levantar é a do “eternalismo versus niilismo”. Na verdade esta questão vai desde um cunho emocional, que podemos dizer seja semelhante a uma dicotomia ingênuo/mau humorado, passando pelas noções de ir além de apego e aversão, esperança e medo etc. Mas ela ganha contornos mais intelectuais na discussão sobre substância, isto é, o que seria uma “ontologia” budista.

Na verdade, o budismo não poderia ter uma ontologia, já que o aristotélico “ente enquanto ente” é exatamente o objeto da negação dos ensinamentos budistas — isto é, quando se fala em “não eu” ou “não existência inerente” ou ainda “não existência independente” de qualquer objeto, em termos dos ensinamentos budistas, está se negando a existência exatamente do “ente enquanto ente”, e portanto da substância. E, exatamente por isso, muitas vezes nos ensinamentos budistas se usa o termo “insubstancialidade”, e pelo mesmo motivo se fala da qualidade onírica de todas as coisas — todos os sete símiles famosos usados pelo Buda apontam nessa mesma direção. Segundo o budismo, todo sofrimento advém da reificação do ente, isto é, uma justificativa para uma existência separada.

Bom, mas o problema começa aqui. Isto seria até mesmo simples, o budismo seria uma mera negação de uma tendência arraigada de nossos sentidos, tendência esta ainda mais fortemente incutida em nós pela linguagem e pela filosofia. Parece mesmo que boa parte do budismo está neste nível de “mau humor”, e algumas vezes os professores de fato brincam: é apenas porque nossa tendência ao eternalismo é tão forte que, antes de entender o que está além de eternalismo e niilismo, é talvez preciso negar um pouco. Isto é, é preciso aprender a inverter a tendência arraigada antes de ir além de tanto a tendência natural quanto da tendência adquirida pelo próprio budismo.

É nesse sentido que os ensinamentos budistas são concedidos, e algumas vezes nos parece haver contradição entre os métodos. Um exemplo que surge é o de uma cartolina enrolada que desejamos plana, primeiro enrolamos a cartolina na direção oposta, depois a deitamos num lugar plano com algum peso sobre ela. Alguém nos observando na fase de enrolar a cartolina no sentido oposto poderá entender que nosso objetivo nunca poderia ser deixá-la plana.

Assim, para eliminar o apego ao padrão usual, afirmamos que a ontologia não é possível. Não há, de fato, justificação nenhuma para a substância. Dissolvemos um por um os fenômenos na vacuidade, isto é, a ausência de um lastro ou substrato para o surgimento, cessação e desaparecimento deles. Isso é o enrolar da cartolina no sentido oposto.

Porém, a cartolina plana não nega nem afirma os seus possíveis enrolamentos. Isto é, quando falamos da vacuidade da própria vacuidade, percebemos a qualidade luminosa ou presença espontânea das coisas que se apresentam, exatamente como se apresentam. Não é necessário transformar alguma coisa, a cartolina repousa além dos extremos.

Esta expressão “além dos extremos” parece bastante importante. Quando falamos em “caminho do meio” a primeira imagem que nos vêm é a da moderação, isto é, o jovem Buda tinha sua cartolina enrolada no palácio com suas mil esposas e seu filho, e depois enrola para o lado oposto, comendo só sementes e cocô de passarinho sob uma árvore no meio do nada, e enfim atinge o caminho do meio, onde as cordas da vina não são nem tesas demais, nem soltas demais. Ou seja, ele come direitinho, conversa com as pessoas e leva uma vida de sanidade básica livre de incessantemente buscar novas experiências. Pelo contrário, relaciona-se com o que aparece, usufrui com prudência e se abstêm com prudência. Este certamente é um dos aspectos de “ir além dos extremos”, e é certamente virtuoso lembrar a todos que o Buda era como nós, nada tão especial.

Porém aqui precisamos introduzir uma palavra pouco entendida, mas bastante relevante para este conceito: transcendência. Essa é uma palavra carregada em nossa cultura ocidental, muitas vezes com conotações indesejáveis, e até mesmo naturalmente pejorativas. Para os cristãos, ou pelo menos a maioria deles, Deus transcende porque precisa ao mesmo tempo estar separado de sua criação e ser capaz de intervir nela. Essa é uma ideia partilhada pelo neoplatonismo, ainda que possa surgir a ideia de que o sujeito (ele mesmo ou um princípio dele) poderia estar além do mundo sensível, meio que olhando com desdém para estas formas corrompidas e temporárias, ele mesmo em contato com a atemporalidade. Enfim, Kant vai dizer que a coisa em si (aquele mesmo tal ente do qual tudo é vazio para os budistas), por estar além da experiência sensível, é transcendente. E, por extensão, ele vai dizer que todas as ideias racionais humanas que não estejam vinculadas a um dado sensível são também transcendentes. Já os existencialistas vão falar de uma transcendência bem mais humanista, ou seja, quando o sujeito se percebe em seu contexto real, em termos do passado e do futuro, ele é livre nos atos de transcendência que realiza — isto é, ele age livre dos condicionamentos impostos por uma contextualização equivocada de sua existência. Porém, tudo isto está bem longe dos ensinamentos budistas.

No budismo não temos criador, a linguagem não é lastro da realidade e a liberdade não é contextualizar a existência (ou pelo menos não apenas isto). Aliás, Kant e a maioria dos filósofos veriam um grande problema com as afirmações budistas sobre o inefável; é considerado um contrasenso a linguagem indicar com sentido algo a respeito do qual não tem acesso racional — isto é, nem mesmo a existência ou inexistência de algo desse tipo. Para o primeiro Wittgenstein, no entanto, lógica, ética e estética são transcendentes. E parece que ao fim do Tractatus ele chega numa espécie de negação parecida com o enrolar da cartolina para o lado oposto. Isto é, se é que algo está além da evidência empírica, não há porque falar disso. Filosofia construtiva, conhecer um dado novo a respeito da realidade através da filosofia, é, portanto, impossível. A única coisa que podemos fazer é enrolar a cartolina para o lado oposto. Em vez de construção de conhecimento, terapia.

Porém os budistas nunca se envergonharam do “nonsense” do Buda, que falou de muitas coisas sobre as quais normalmente não seria possível falar. Isso porque a fala do Buda não está dizendo coisas a respeito de coisas, mas sim ativamente nos engajando no reconhecimento da experiência do próprio Buda. Nesse sentido, ela á transcendente, porque a experiência do Buda não é transmissível, e num outro sentido, também não poderia ser privada, interna apenas ao próprio Buda. Assim, que o Buda surja e fale o que fala não é algo tão convencional quanto o “além dos extremos” mais simples poderia indicar.

As pessoas mais simplórias, porém, usam o termo “transcendência” num sentido particularmente estranho. Primeiro elas imputam ao termo uma visão dualista, e curiosamente não é nem a questão de uma substância mais um não-sei-o-quê, como os neoplatonistas, mas sim, incrivelmente, duas substâncias. Temos uma mais grosseira, sólida, aquela da mesa de trabalho, telefone e levar as crianças para a escola, e uma sutil, onde moram espectros, mortos, deidades. Esses dois mundos são claramente um o espelho do outro, e isso vem lá de Platão ou dos vedas, e muitas vezes é onde as pessoas acham que reside a espiritualidade—conhecer e relacionar estes dois mundos.

A noção de “matéria” por exemplo, é bastante curiosa. Há formas de budismo que sustentam uma postura realista, ou seja, que existe uma pessoa, existe o budismo, e existe mais um monte de outras coisas acontecendo, num mundo um pouquinho separado, e que de vez em quando nos afeta aleatoriamente—ou seja, ele está lá fora, mas de vez em quando, interfere de algum jeito. A ciência ocidental sustenta uma visão semelhante, só sem o budismo. Então há toda esta matéria com que a pessoa pode, ou não, se relacionar, e que pode, ou não, afetar a pessoa—que a ciência quer conhecer e que o budista quer deixar onde está. De fato estas formas de budismo chegam a falar de partículas, e até mesmo unidades discretas de tempo (quase como se o mundo operasse em quadros por segundo, como um filme). As formas de vacuidade que estas escolas ensinam consistem em falar sobre a composição das coisas e o fato de que elas são impermanentes. O além dos extremos deles é meramente a moderação e a prudência. Ainda assim, considera-se meritório estudar isto, porque se acredita que certas pessoas não conseguem penetrar nos ensinamentos que descreverei a seguir.

É preciso no entanto deixar claro que as noções populares e as primeiras noções de vacuidade não são rechaçadas pelas visões superiores, e sim aproveitadas por compaixão. Então quando ocorre de criticarem o budismo ou algumas de suas formas por guardarem noções folclóricas ou visões incompletas em suas formas, isso é perder de fato a grandiosidade do escopo da mente do próprio Buda. Os ensinamentos que transcendem a mente simplória de fato começam com essa perspectiva de ir além do mau humor. Em vez de rechaçar visões, estudar as propriedades e armar um leque de possibilidades de relacionamentos com os mais diversificados seres. E talvez por isso as formas de budismo que se fixem nessa atitude pluralista cutuquem as outras com a ideia de que é necessário focar mais na compaixão.

A mente do Buda é como um diamante lapidado em supersimetria, isto é, cada uma das facetas reflete todas as outras, sem exceção e completamente. Assim, todo e qualquer fenômeno apresenta o ensinamento do Buda em sua inteireza. Que ele tenha surgido com uma cabeça, dois braços e duas pernas e falado palavras, que ele seja humano, isto é miraculoso, esotérico, sobrenatural! O objetivo de reconhecer alguém como especial só pode ser o de gerar mérito. A mente que se fixa ao convencional, e prefere não se maravilhar, possui certa mesquinhez com relação à gama de possibilidades. É como uma criança mimada que rejeita participar da atividade desafiadora por preguiça. Se ela apenas olhasse pela janela, veria o quão divertido é.

A maioria das pessoas considera sobrenatural o Buda ter uma aura, ou o budismo acreditar em seres de outros tipos de materialidade, uma materialidade mais sutil, “reinos dos deuses”. Mas estas são extrapolações ainda dentro do óbvio, ou pelo menos, nada disso precisa ser tomado literalmente. O que surpreende as pessoas é que os seres sutis do budismo estão todos no samsara, e em geral estão em situação pior do que a humana, pelo menos no que diz respeito a praticar o darma. Surpreende ainda mais o Buda dizer que ele não pode ser reconhecido pela sua aparência externa, extraordinária que possa parecer, e que quem se prostrar a ele pelas suas características é um herege!

Então o que o Buda quer que reconheçamos senão aquilo que é natural? Porém, quando falamos deste natural de dentro da artificialidade da linguagem, ele, curiosamente, surge como transcendente. Porque transcendente? Porque a pujança de naturalidade não permite que a linguagem opere de forma a convencer ou explicar, e sim apenas no demonstrar, no mostrar. A outra margem é aqui, e ainda assim dizemos “outra”. O rugido do leão paralisa os corações das vítimas pela intensidade e a baixa frequência em que opera. Toda a artificialidade é devorada pelo darma, não sobra coisa alguma.

Texto extraído de tzal.org - produzido por Padma Dorje, distribuído sob Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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